Trinitarismo - A luta pela sobrevivência (Parte 2)
Escrito por: Valdemar Barbosa | Publicado em: 03/07/2026 22:34 | Categoria: Bíblia | 👁️ 7 visualizações
3. O Resumo de Toda a Revelação Divina (Mateus 22:40)
Após citar Deuteronômio 6:4-5 e conectá-lo ao amor ao próximo (Levítico 19:18), Jesus faz uma aplicação revolucionária sobre o peso desse texto:"Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas".
Para Jesus, Deuteronômio 6:4 não é apenas uma lei entre outras 613 regras da tradição judaica. É a chave hermenêutica de toda a Bíblia. Ele aplicou o versículo como o "guarda-chuva" sob o qual todas as outras leis (como os Dez Mandamentos, leis civis e rituais) encontram sentido e se sustentam.
Então podemos perguntar: Se Jesus declarou que lá em Deuteronômio 6:4, Deus é "um só", que na realidade "um" é no sentido numérico, por que interpretam tais teólogos trinitários que "um" é unidade composta, que no final do propósito deles, servem para agregar outras pessoas nesta unidade composta saindo totalmente da declaração de Jesus?
Temos aí então uma das objeções mais antigas e centrais de todo o debate teológico entre o unitarismo (que defende Deus como uma única pessoa divina, o Pai) e o trinitarismo (que defende Deus como um único Ser composto por três pessoas).
Os teólogos trinitários mantêm a sua interpretação, mesmo diante da declaração literal de Jesus em Marcos 12:29, dizendo que eles não ignoram a fala de Jesus; eles a interpretam à luz de outras declarações do próprio Jesus e do Novo Testamento. Abaixo estão os quatro pilares que os teólogos trinitários usam para justificar por que enxergam uma unidade composta ali, em vez de um monoteísmo estritamente numérico de uma única pessoa:
1. A Harmonia entre o Antigo e o Novo Testamento (Suma Teológica)
A teologia trinitária opera pelo princípio de que a Bíblia não pode se contradizer. Para esses teólogos, quando Jesus cita Deuteronômio 6:4 dizendo que "o Senhor é o único Senhor", Ele está reafirmando a unidade de essência e natureza de Deus (existe apenas um Deus, não vários, combatendo o politeísmo).
No entanto, o argumento deles é que o próprio Jesus, ao longo de seu ministério, atribuiu a si mesmo características que pertencem estritamente a esse único Deus de Deuteronômio:
• João 10:30: Jesus declara: "Eu e o Pai somos um" (usando a palavra grega hen, que denota unidade de essência, não apenas de propósito).
• João 8:58: Jesus usa o nome sagrado de Deus para si mesmo: "Antes que Abraão existisse, Eu Sou".
• Mateus 28:19: Jesus ordena o batismo "em nome [singular] do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo".
Para o trinitário, a única forma de Jesus ser Deus e o Pai ser Deus, sem haver dois deuses, é se o "um" (Echad) de Deuteronômio 6:4 permitir, desde o início, uma pluralidade de pessoas dentro da mesma e única essência divina.
2. A Natureza Intrínseca do Amor Divino
Um argumento teológico profundo usado para defender a unidade composta em Deuteronômio 6:4 baseia-se na afirmação do Novo Testamento de que "Deus é amor" - 1 João 4:8.
• Se Deus fosse um "um" puramente numérico e solitário por toda a eternidade antes da criação, Ele não poderia exercer o amor, pois o amor exige um objeto (alguém a ser amado). Ele precisaria criar o universo para poder amar, tornando-se dependente da criação.
• Na visão trinitária, o "um" composto resolve isso: o Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem em perfeito amor e relacionamento eterno entre si dentro da própria unidade de Deus, sem depender de nada criado.
3. A Diferença entre "Essência" e "Pessoa"
Para os teólogos dessa linha, quem critica a Trindade geralmente confunde dois conceitos teológicos distintos:
• O que Deus é (Essência): Há apenas um Deus. Numericamente, a divindade é única. Jesus confirma isso em Marcos 12.
• Quem Deus é (Pessoa): Dentro desse único Deus, existem três pessoas subsistentes (Pai, Filho e Espírito Santo).
Portanto, na mente do teólogo trinitário, eles não estão saindo da declaração de Jesus. Eles acreditam que estão defendendo exatamente o que Jesus disse (há um só Deus), mas preenchendo o significado desse "Deus único" com as revelações que o próprio Jesus trouxe sobre sua própria divindade e sobre o Espírito Santo.
4. Sobre "Agregar outras pessoas"
Sobre a acusação de que essa interpretação serve para "agregar outras pessoas" na divindade (rompendo o monoteísmo puro), o trinitarismo ortodoxo se defende afirmando que o Filho e o Espírito Santo nunca foram agregados ou adicionados ao longo do tempo. Eles defendem a coeternidade: o Filho e o Espírito sempre fizeram parte do único Deus desde o princípio. Não houve um momento em que Deus era apenas o Pai e depois Jesus "entrou" para a unidade.
Como visto acima, temos um conflito de interpretação que separa historicamente o Cristianismo Ortodoxo/Protestante/Católico de vertentes como o Judaísmo, o Islamismo e grupos cristãos unitários, que veem a leitura trinitária como uma violação da simplicidade matemática do texto. E ainda visto acima, o argumento deles é que o próprio Jesus, ao longo de seu ministério, atribuiu a si mesmo características que pertencem estritamente a esse único Deus de Deuteronômio." Mas se você leitor, ler a Bíblia de capa a capa, não encontrará Jesus trazendo para si atributos exclusivos do Pai, ele sempre se mostra um servo em submissão. E declarar que ao longo de seu ministério ele usurpava atributos é ir além do que Jesus ensinava. Mais abaixo, no andamento da matéria falarei mais detalhadamente sobre isso.
Note a pura contradição trinitária neste comentário:
"O que Deus é (Essência): Há apenas um Deus. Numericamente, a divindade é única. Jesus confirma isso." (Aqui eles confessam que, na essência Deus é único, há apenas "um Deus" na qual como "divindade é única" e numericamente é "um".)
E agora a contradição:
Quem Deus é (Pessoa): Dentro desse único Deus, existem três pessoas subsistentes: Pai, Filho e Espírito Santo. (Se Deus é pessoa e em essência é número, e em divindade é único, como pode haver dentro de uma só pessoa mais duas? Como pode haver mais duas divindades quando eles mesmos declaram haver "uma única divindade"?
Outra contradição trinitária é a respeito de que "Deus é amor" e se vivia sozinho ele não poderia ter exercido o amor entre si dentro da própria unidade de Deus sem depender de nada criado.
Essa afirmação colide com a Bíblia e busca fazê-la mentirosa. Embora possa ser difícil para nossa mente entender isso, Deus nunca teve princípio e nunca terá fim. Ele é o “Rei da eternidade”. (Salmo 90:2; 1 Timóteo 1:17) Antes de começar a criar, Deus estava completamente sozinho no espaço do universo. Todavia, não pode ter-se sentido solitário, porque é completo em si mesmo e não lhe falta nada. Como poderia alguém que é completo lhe faltar alguma coisa? Deus, se preferisse, não precisaria de criar nada para ser amoroso porque ele próprio é a essência do amor! Mas passou a criar por amor. Deus não deu início à criação só para que fosse amado ou feliz, uma vez que é completo e não lhe falta nada e também não criou por estar solitário.
Assim, o argumento de que Deus precisava criar para sair da solidão, é um pretexto de defender o ensino trinitário que apregoam. Ao contrário do que ensinam, foi o amor que o induziu a criar, a dar vida a outros, para o usufruto deles. As primeiras criações de Deus foram pessoas espirituais semelhantes a ele mesmo. Abordarei este tema mais a frente. Assim, alegar que dentro deste único Deus existem três pessoas subsistindo é ir além do que está escrito.
"Eu e o Pai somos um". Aqui eles acham que O Filho e o Pai são o mesmo Deus, e na visão de outros extremistas a mesma pessoa. Analisemos João 10:30 à luz do contexto anterior e posterior:
Versículo 15, pode alguém refutar que Deus jamais pode dizer: "e eu dou a minha vida pelas ovelhas"?
Versículo 18: "Tenho o direito de entregá-la e tenho o direito de recebê-la de novo. Recebi esse mandamento do meu Pai.”
Versículo 29: "O que o meu Pai me deu é maior do que todas as outras coisas, e ninguém pode arrancá-las da mão do Pai."
Estes versículos antecedentes não apoiam que no versículo 30: "Eu e o Pai somos um", sejam um em divindade.
Dos versículos 36-38 fica evidente de como interpretar João 10:30. "Eu e o Pai somos um" tem o sentido de serem um só em "união" de propósitos.
Somos um: Ou: “estamos em união”. Este comentário de Jesus mostra que ele e seu Pai estão unidos em proteger as pessoas semelhantes a ovelhas e em guiá-las para a vida eterna. O Pai e o Filho fazem juntos esse trabalho de pastoreio. Os dois têm a mesma preocupação com as ovelhas e não permitem que ninguém as arranque da mão deles. (Jo 10:27-29; compare com Ez 34:23, 24.) O Evangelho de João menciona muitas vezes o companheirismo e a união de pensamento que existem entre o Pai e o Filho.
A palavra grega traduzida aqui como “um” está, não no gênero masculino (indicando “uma pessoa”), mas no gênero neutro (indicando “uma coisa”). Isso apoia a ideia de que Jesus e seu Pai são “um”, não porque sejam a mesma pessoa, mas porque cooperam um com o outro. (Jo 5:19; 14:9, 23) Uma comparação entre as palavras de Jesus aqui no capítulo 10 com a oração dele registrada no capítulo 17 confirma que Jesus estava dizendo que ele e seu Pai estão unidos nos seus objetivos, não que eles são iguais em divindade. (Jo 10:25-29; 17:2, 9-11) Isso fica claro no pedido que Jesus fez a seu Pai sobre seus seguidores: “Que [eles] sejam um, assim como nós somos um.” (Jo 17:11) Dessa forma, pode-se concluir que os capítulos 10 e 17 de João falam do mesmo tipo de união.
Eu procurei fazer uma análise exegética primorosa e muito bem fundamentada. O argumento que apresentei baseia-se estritamente no texto bíblico e na gramática grega, sendo exatamente a linha de raciocínio utilizada por teólogos unitários, estudiosos da crítica textual e historiadores para refutar a interpretação trinitária de João 10:30. Vou abaixo, validar e estruturar os pontos fundamentais, os quais expõem as fragilidades da leitura trinitária tradicional sob a ótica do próprio texto: